DF na luta: Frente Parlamentar é lançada para combater PEC 32

Na manhã desta quinta-feira (13), o Sinasefe Brasília participou do lançamento da Frente Parlamentar Distrital contra a Reforma Administrativa. O evento aconteceu de forma virtual e reuniu alguns dos principais sindicatos de servidores públicos federais e distritais, como o ANDES, o Sindicato dos Bancários e o Sinpro/DF.

Além disso, também participaram deputados que apoiam a causa, de fundamental importância não apenas para as categorias do funcionalismo, mas para toda a sociedade.

Um dos pontos da Reforma Administrativa que é altamente prejudicial inclusive para os servidores que já estão na ativa é a perda da estabilidade. “Nós que somos servidores sabemos a importância disso. A estabilidade empodera o servidor, que pode enfrentar o chefe imediato quando ele tem alguma conduta ilegal ou imoral. É a estabilidade que garante a possibilidade de enfrentar o governo, de denunciar, passar informações públicas para que a imprensa tenha acesso e possa informar a sociedade. A perda desse direito é um ataque direto ao estado brasileiro. Quem governa esse país não tem compromisso com as políticas de estado, por isso precisamos garantir articulação, envolvimento e compreensão dos servidores, fundamental para que a gente consiga garantir a mobilização necessária ao enfrentamento à reforma administrativa e essa frente se propõe a ser um espaço político importante para isso”, afirmou o deputado Fábio Felix, idealizador da Frente que já conta com o apoio de outros parlamentares.

Conjunto de ataques

O coordenador do Sinasefe Brasília, Lucas Barbosa, iniciou a fala prestando solidariedade às famílias que perderam algum ente querido durante o que chamou de “barbárie conduzida pelo genocida que está no poder”. O sindicalista também afirmou que essa frente distrital é um instrumento que ajuda na articulação tanto a nível distrital quanto federal, pois é preciso organizar o enfrentamento ao conjunto de ataques tanto do governador Ibaneis Rocha quanto do presidente Jair Bolsonaro.

“Do ponto de vista dos trabalhadores do IFB, estamos enfrentando uma série de ataques destinados à Educação Federal. Foi editada recentemente uma portaria que aumenta a carga horária de ensino. Na prática, isso causa um desprestígio à pesquisa e extensão, realizada majoritariamente pelos Institutos e Universidades Federais. Além disso, o nosso instituto está enfrentando um corte de 18% no orçamento, o que significa que, se estivéssemos atuando em condições normais, não teríamos dinheiro para pagar as contas de água, luz e o salário dos terceirizados”, explicou Lucas.

O coordenador do Sinasefe Brasília explicou que, nesse momento, o orçamento deveria ser aumentado para garantir auxílio aos estudantes de baixa renda que sofrem com a falta de acessibilidade.

“O governo quer colocar que os profissionais de educação ganham muito bem, mas um auxiliar de educação da nossa carreira tem o vencimento de R$1300. É uma carreira que ganha menos que a iniciativa privada, esse discurso de que a Reforma seria um combate aos privilégios é um fiasco. Não existe compromisso nenhum em modernizar o Estado, todos nós prestamos um serviço de excelência que o governo quer desmontar e entregar para a iniciativa privada”, afirmou o sindicalista.

Lucas Barbosa encerrou destacando a necessidade de construir mais espaços de unidade entre as categorias de servidores, para construir atos unificados nas ruas e dividir recursos para realizar uma ampla campanha contra a PEC 32, utilizando todos os recursos midiáticos possíveis.

A Proposta voltará a ser discutida na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados na próxima semana, onde os deputados avaliam se a PEC possui admissibilidade para ser encaminhada à votação.

PEC 32: Câmara começa a debater Reforma Administrativa nesta segunda (26)

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados começa, nesta segunda-feira (26), a debater a Reforma Administrativa. A proposta, que pode destruir os direitos dos servidores públicos e as políticas de estado do país, passará por um cronograma de audiências antes de ser apreciada pela Comissão, que deve votar a admissibilidade da PEC até a segunda semana de maio.
“O fim da estabilidade será uma porteira aberta para mandos e desmandos e para aumentar a corrupção dentro dos órgãos públicos”, afirmou Vicente Braga, presidente da Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do DF (Anape), durante a audiência que acontece agora e pode ser acompanhada aqui.
Para a diretora do Sinasefe Brasília, Camila Tenório Cunha, a proposta é um desmonte total do serviço público e da garantia de qualidade no mesmo. “´É um serviço que garante direitos para a maioria da população. Até a ditadura militar, concursos eram raros, havia muita corrupção e cabide de empregos, depois veio a garantia de que quem entra tivesse mais preparação para atender a população que precisa dele. Abre um espaço para o uso da questão política dentro do serviço público, o uso da máquina pública para os benefícios próprios”, explica.
Camila afirmou ainda que a proposta é um enorme retrocesso para o país. “Parece que a gente está voltando para um tipo de Brasil colônia, estamos quase voltando para a escravidão, o retrocesso está indo a galope. Você precisa garantir serviço público de qualidade para ter uma democracia real”, pontua a sindicalista.
“Acho lamentável que às vésperas de completarmos 400 mil mortos pela pandemia, os responsáveis pela desgraça do país sejam os servidores, o maior responsável pela desgraça do país chama-se Jair Messias Bolsonaro, esse sim é o presidente da funerária e do cemitério, Bolsonaro, filhos e companhia. A ideia da proposta é acabar com os servidores e com os serviços públicos”, afirmou o deputado Rui Falcão (PT-SP)
O Sinasefe Brasília orienta a categoria a manifestar-se contra a proposta de forma virtual, enviando mensagens aos parlamentares para que eles votem contra a admissibilidade da proposta. Em breve, divulgaremos uma sugestão de texto para os deputados, que todas e todos poderão compartilhar.

Sinasefe Brasília participa das mobilizações do Dia Nacional de Luta

Nesta quarta-feira (24), o Brasil inteiro protesta contra a Reforma Administrativa e as demais políticas do governo Bolsonaro que prejudicam sistematicamente a população. Em Brasília, representações sindicais dos servidores públicos realizaram ato político em frente ao ministério da Economia. O Sinasefe Brasília esteve presente na mobilização, que teve por objetivo, além de rechaçar a PEC 32, expor outras reivindicações da população, como a vacinação em massa, geral e irrestrita. Às 19h, haverá um twittaço com a #PECDAGRANADA e às 20h30, um panelaço.
“A ampla unidade em defesa do povo é necessária para derrubar esse governo genocida que precisa ser derrubado para ontem em defesa da vida. Por isso nós defendemos também a vacinação geral e irrestrita, um auxílio emergencial digno que garanta que as pessoas tenham condição de fazer o isolamento, para não correr nessa roleta russa que o povo sai de casa para conseguir o sustento, então o auxílio emergencial de um salário mínimo, no mínimo, é uma exigência nossa, assim como o congelamento dos preços dos alimentos e combustíveis”, explicou o coordenador do Sinasefe Brasília, Lucas Barbosa, que esteve presente na atividade.
O sindicalista ainda reforçou que esse movimento está sendo construído para defender uma pauta que perpassa as questões corporativas. “É uma pauta em defesa do Brasil, em defesa das Instituições Públicas, porque é só nas Universidades e Institutos Federais que está se produzindo conhecimento, que há a produção de máscaras, de respiradores mais baratos, é o professor e o técnico administrativo que está trabalhando dobrado para garantir uma educação de qualidade”, afirmou.
Em relação à Reforma Administrativa, Lucas acredita que para o governo, a contribuição dos servidores públicos não é válida. “Ele quer acabar com os nossos salários, com nossos direitos, com as Instituições através dos cortes orçamentários, com a verba destinada a pesquisa, a assistência estudantil. Acima de tudo é um governo que nos persegue, aos professores das Universidades e IF’s que estão recebendo processos e estão sendo intimados. Por fim, temos que caminhar para mais dias de mobilização, de enfrentamento, de colagem de cartaz, de twittaço, de pressão no Congresso, e precisamos encaminhar uma greve geral dos trabalhadores e trabalhadoras para derrubar esse governo genocida. Fora, Bolsonaro!”, conclui o coordenador do Sinasefe Brasília.
Dezenas de entidades sindicais de todo o país realizam atividades na data de hoje. Paralisações, carreatas, protestos, aulas públicas, campanhas virtuais e twittaços estão sendo realizados ao longo do dia.